Bola cheia
Recebi um elogio público do Juca Kfouri no CBN Esporte Club. Estou insuportável! (Para ouvir, dê play sob "Contratação de Muricy Ramalho pelo Pameiras é a manchete do dia").
Escrito por Ana Mesquita às 10h18
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São João Del Rei

Gostei da cidade desde a chegada à estação. 
O nome de algumas pessoas é realmente próprio. Salvador serve muito bem para guias que fazem bem seu trabalho, em minha opinião. E era esse o nome do homem que nos guiou pelas ruas de São João Del Rei, mostrando lugares, contando histórias, atiçando a curiosidade e deixando a visita com gosto de quero-mais. Contou-nos a origem da expressão “sem eira nem beira”: as casas dos ricos tinham eira e beira (como essa da foto), as dos "remediados" tinham apenas eira e a dos pobres não tinha eira nem beira. Descobri então que eu desconhecia o significado correto: a pessoa sem eira nem beira é pobre, sem recurso e eu pensava que fosse algo como sem referência, meio perdida. Explicou-nos também de onde vem “nas coxas”: As telhas eram moldadas na coxa dos escravos. Como usavam vários escravos e suas coxas tinham diferentes medidas, as telhas ficavam irregulares e os telhados com goteiras. Por isso um trabalho mal-feito é um trabalho feito nas coxas.

Mostrou-nos o auto-retrato do artista em sua obra, escondido na pintura do teto da Igreja Nossa Senhora do Pilar. Do chão fica difícil perceber que há um rosto no manto do anjo, a foto bem facilita... 
Explicou-nos porque a Igreja de Nossa Senhora das Mercês ficou com apenas uma torre: as igrejas tinham que pagar impostos, mas apenas depois de prontas. Então, fizeram o projeto da igreja com duas torres e a deixaram “inacabada”, com uma torre só, para escapar do fisco. 
Falou-nos da obra de Aleijadinho na Igreja de São Francisco. A escultura da fachada representa o santo pedindo as chagas de Cristo. 
Levou-nos a uma fábrica de objetos em estanho. Gosto tanto de ver como as coisas são feitas! Parece que traz certa lógica ao mundo. São momentos de iluminação – então é assim! Acho absolutamente fascinante. 
Escrito por Ana Mesquita às 20h16
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Tiradentes - MG

Cidadezinha linda, Tiradentes. Ruas de pedra, casinhas coloridas, igrejas muitas, tudo de uma outra época. Bem cuidada, artistas e artesãos para todo lado, acolhedora, comida boa, um encanto. Mesmo na arte barroca, que – pura questão de gosto – não acho exatamente bonita, encontrei prazer. Fascínio pelas coisas antigas ou raras e as histórias que elas encerram. 
Coisa boa, caminhar. Andar só por andar. Ou em busca de uma vista bonita, uma paisagem diferente, uma flor, uma pedra. Vimos rochas a mais de mil metros de altura que pareciam do fundo do mar. Contou o guia que geólogos foram lá estudá-las e concluíram que aquela região pode ter sido oceano há mais tempo do que sou capaz de imaginar. 
Prestar atenção nas coisas, olhar e ver, não do jeito que andamos por aí todos os dias, distraídos. Tudo faz pensar. Por exemplo, a árvore que tombou, desenraizada. Qualquer um que passasse por ali depois da tempestade (terá sido uma tempestade?) a julgaria condenada à morte. Passei muito tempo depois, por isso atesto sua inacreditável capacidade de sobrevivência. 
O melhor de tudo: a Maria Fumaça. Vê-la chegar foi como entrar num túnel do tempo, passear nela como voltar a ser criança.  Adoro viajar. Não é incomum acontecer de eu ir embora de um lugar que gostei de conhecer pensando em tudo o que faltou ver, ou nas coisas que gostaria de ver de novo. Por fim, acabo concluindo que ainda há muitos lugares onde nunca fui para conhecer e prefiro não voltar, mas com Tiradentes acho que vai ser diferente, quero ir outra vez. PS – A Maria Fumaça nos levou à São João Del Rei. Depois coloco algumas fotos de lá também.
Escrito por Ana Mesquita às 14h50
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