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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, BUTANTA, Mulher, de 36 a 45 anos, Sou fotógrafa, fui nadadora, etc...



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Bloquinho da Ana Mesquita - crônicas, idéias e devaneios.


Primeira vez

            Dizem que tudo na vida tem uma primeira vez. Serve para muitas situações: o primeiro amor, o primeiro beijo, o primeiro tombo, a primeira decepção, a primeira viagem sozinha, a primeira perda, o primeiro emprego, a primeira vitória, a primeira derrota. Não exatamente nessa ordem. É um ditado bobo, porque nem tudo tem que acontecer um dia com todos. Mesmo assim lembrei-me dele na última quinta-feira, quando, pela primeira vez, fui, doente, ao hospital. Já tinha ido como parturiente, doze anos atrás. Há menos tempo, precisei dar uns pontos no calcanhar depois que um banco me atingiu pelas costas. Ano passado torci o pé e precisei uma imobilização. Ir, doente, para o pronto-socorro, foi a primeira vez.

            Tive então mais uma medida de como é estar ficando velha. Não porque fiquei doente e precisei de hospital, pois tenho esperança de que isso não vá agora virar regra, não estou na idade de ser mau negócio para plano de saúde. O que me fez sentir velha foi olhar para a cara do médico e pensar: quem será esse moleque? E no instante seguinte, o moleque se apresenta como o doutor Rafael e te chama de senhora!

            E eu estava lá, esperando ansiosamente que a enfermeira viesse me dar um analgésico na veia, paciente impaciente, quando um sujeito, falando ao celular enquanto caminhava de um lado para o outro no corredor, dizia que estavam fazendo uma “topografia” na mulher. Coitado, eu sabia que a real preocupação dele não era que houvesse um médico empenhado em mapear minuciosamente o relevo do corpo da mulher, ali devia ser caso de acidente ou doença séria, mas a confusão de palavras foi muito engraçada, não deu para não rir.

            Minha ultra-sonografia não deu nada, diagnosticaram só uma infecção urinária muito furiosa. E manha, talvez, mas não escreveram no prontuário. Receitaram antibiótico, analgésico, dois dias de repouso e pude vir para casa. Salvo o parto, ainda não precisei da minha primeira internação. Vou torcendo para passar sem ela, pois, mesmo tendo sido muito bem atendida e saído de lá infinitamente melhor do que entrei, continuo não gostando de hospital. Bom mesmo é dar lucro para plano de saúde!



Escrito por Ana Mesquita às 12h39
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