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Escrito por Ana Mesquita às 18h21
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Inquietude (no sangue?)

            Minha mãe contou esse caso: comprou, para a festa de seu irmão, quantidades iguais de castanha de caju e pistache e ficou surpresa pelo fato de que a castanha foi consumida quase toda, mas o pistache sobrou um montão. Então, conversando no dia seguinte com um dos filhos sobre isso, ouviu: “claro, mãe. O pistache vem com casca, a castanha está pronta para comer”. “Muito me admira”, respondeu minha mãe, “todo mundo lá sem nada para fazer com as mãos, não é gostoso descascar o pistache?”. E meu irmão: “para você, que não sabe ficar parada, sim”.

            Fiquei pensando: sou parecida com minha mãe nesse particular. Detesto ficar sem fazer nada. Tendo que enfrentar fila ou uma sala de espera, gosto de ter sempre à mão um livro ou uns papeizinhos de origami. Acho que é para me distrair, mas também para não ficar com aquela sensação ruim de perda de tempo. Minha ex-terapeuta uma vez perguntou o que aconteceria se eu ficasse sem fazer nada, deve ter tido a impressão de que eu me sentia ameaçada pela quietude e aparentemente isso é bem ruim. Para mim não tem problema, não me incomoda muito esse defeito.

            Curioso é que me peguei pensando se herdei essa característica da minha mãe no sangue ou na educação. A questão já estava na minha cabeça por outra história. Há uns dias, meu sobrinho veio aqui em casa imprimir um trabalho de escola, a impressora da casa dele estava quebrada. Aproveitei o computador ligado para mostrar a ele, toda orgulhosa, meu livro no site da livraria. Quando ele chegou à sinopse, começou a “ler” em voz alta algo como: André Favaro (o próprio “leitor”), recordista da travessia do Canal da Mancha... O que me fez dar muita risada foi lembrar-me de como o pai dele fazia igual na época em que eu nadava, quando ele ainda nem era nascido! Perguntei se sabia disso, mas não, nunca tinha ouvido as histórias de como o meu cunhado costumava me perguntar onde eu tinha comprado meus troféus, pois ele queria igual, ou da vez em que pegou o ranking mundial em que eu aparecia em 7º lugar, riscou todos os nomes que estavam acima do meu e escreveu versões de seu próprio nome no lugar, mandando depois para mim por fax. Achei muita graça. E pensei: será possível ter passado nos genes?!



Escrito por Ana Mesquita às 18h12
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