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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, BUTANTA, Mulher, de 36 a 45 anos, Sou fotógrafa, fui nadadora, etc...



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Hora devolvida

            Semana passada, quando vi que o horário de verão estava para terminar, pensei: vou escrever sobre a hora devolvida. Não tinha sido roubada, afinal. Algumas coisas me impediram, no entanto, não pude escrever. Por a culpa na falta de tempo sempre parece falácia e mais ainda quando você ganha uma hora no fim-de-semana. Vou tentar argumentar que não seria falácia nesse caso, porque o tempo tem mesmo corrido muito, está fogo, para não usar a outra palavra começada com efe, que seria mais apropriada, mas quero evitar a linguagem chula. Só que quando algum leitor entre os cinco ou seis que sempre passam por aqui em busca de um texto novo – gosto tanto disso! – já estiver sensibilizado, tendendo a perdoar minha irregularidade em vista da situação – fotógrafa, mãetorista, cozinheira e ainda querendo ser escritora, não vai dar mesmo – vou ter que admitir que não foi só a correria.

            Aconteceu também de ter me faltado a sensação de hora devolvida. Sabe aquela coisa de acordar no dia seguinte super bem dormida, pensando ser muito tarde e se dar conta de que ainda são sete e meia? Não teve. Como trabalhei até tarde no sábado nem acordei bem descansada, nem achei que ainda era cedo. E domingo passou voando, com o almoço gostoso que meu sobrinho cozinhou e desfrutamos em família tomando bom vinho. Tive um lampejo de hora devolvida ontem, porque derrubei meu despertador durante a noite, caiu a pilha e ele evidentemente não tocou, mas ainda assim não perdi a hora. E tenho acordado às seis da manhã com o dia claro, o que é muito gostoso. Mas a verdadeira sensação de hora devolvida aconteceu agora a pouco.

            Hoje de manhã, chegando à escola, minha filha pediu meu relógio emprestado, tinha esquecido o dela. Passei a manhã sem relógio, até resolver pegar um outro e ver que já era meio dia, hora de ir nadar. Arrumei minhas coisas: maiô, touca, óculos, toalha, uma troca de roupa, garrafinha e já ia saindo, mas quando entrei no carro vi que o relógio marcava... onze e quinze. Que delícia, ainda tenho uma hora! Vou escrever meu texto, a hora foi devolvida enfim!



Escrito por Ana Mesquita às 11h55
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