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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, BUTANTA, Mulher, de 36 a 45 anos, Sou fotógrafa, fui nadadora, etc...



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Bloquinho da Ana Mesquita - crônicas, idéias e devaneios.


Historia de uma foto.

Sempre dizem por aí que uma imagem vale mais que mil palavras. Desconfio que eu, como fotógrafa, deveria entrar no coro. Mas vou destoar. Considero imagens e palavras ótimas companheiras e não sinto vontade de tentar estabelecer superioridade entre elas. Textos podem ganhar muito pela companhia de algumas fotos e acho que fotos também podem ser muito enriquecidas por um texto.

Cada fotografia tem uma história. E pode ser uma bela história. Vou contar a da minha foto do beija-flor. Fazia tempo que eu tinha vontade de fotografar um beija-flor. Cheguei mesmo a pensar em colocar uns bebedouros aqui em casa, onde vez ou outra aparece algum, mas eu não queria fotografar o passarinho beijando uma flor de plástico. Mas a história começa mesmo com o Flamboyant e aconteceu na última primavera. Eu ia chegando à casa da minha mãe quando o vi, acho que era seu dia de maior esplendor. Mais que chama, uma explosão de cor. Incrível, porque nas férias de julho eu tinha achado que ele estava quase morto, pensei que nunca mais daria uma flor. Dois meses depois, aquele milagre! Então, mal cheguei, nem tirei as malas do carro, peguei a câmera e fui tirar a foto:

 

Enquanto descia o morro até a árvore, cruzei com meu irmão, que vinha subindo e me perguntou aonde eu ia. Eu devolvi a pergunta: adivinha aonde vou de câmera em punho? Mas ele não adivinhou, acho que de tanto passar toda hora pelo flamboyant já não era mais tão atingido pela explosão. E me pediu: se der tira uma foto daquelas florzinhas vermelhas ali embaixo, junto ao muro do terreiro, estão tão bonitas! Então, na subida, parei para as florzinhas vermelhas:

 

Chegando de volta à casa de minha mãe, resolvi entrar pelo jardim listado, pensando que talvez quisesse tirar uma foto da sibipiruna. Mas me chamou a atenção mesmo foi a tartaruga, que começou a me seguir, até subindo na grade do cercado. Tirei uma foto dela olhando para mim:

 

E concluí que ela só podia estar me dizendo que estava com fome. Fui até a cozinha, busquei uma banana para a Taru e sentei ali perto dela, observando enquanto ela devorava tudinho. Estava mesmo com fome. Depois que ela terminou o banquete me levantei e dirigi o olhar à sibipiruna. Tirei uma primeira foto, não muito convencida. Mudei o ângulo, tentei outra luz, sem muito entusiasmo. E ele apareceu, o beija-flor! Tirei uma e pensei: assim não, preciso de tele, espera um pouco, por favor! Ele esperou!!!

 

Depois bateu asas mais uma vez, beijou outra flor:

 

E voou para longe, não sei onde. Para mim, foi como ganhar um presente!

P.S. - Este texto ilustrado é especial para a Olívia e para o Fernando Moreno, que pediram fotos!



Escrito por Ana Mesquita às 09h11
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