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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, BUTANTA, Mulher, de 36 a 45 anos, Sou fotógrafa, fui nadadora, etc...



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Bloquinho da Ana Mesquita - crônicas, idéias e devaneios.


Primeira vez

            Dizem que tudo na vida tem uma primeira vez. Serve para muitas situações: o primeiro amor, o primeiro beijo, o primeiro tombo, a primeira decepção, a primeira viagem sozinha, a primeira perda, o primeiro emprego, a primeira vitória, a primeira derrota. Não exatamente nessa ordem. É um ditado bobo, porque nem tudo tem que acontecer um dia com todos. Mesmo assim lembrei-me dele na última quinta-feira, quando, pela primeira vez, fui, doente, ao hospital. Já tinha ido como parturiente, doze anos atrás. Há menos tempo, precisei dar uns pontos no calcanhar depois que um banco me atingiu pelas costas. Ano passado torci o pé e precisei uma imobilização. Ir, doente, para o pronto-socorro, foi a primeira vez.

            Tive então mais uma medida de como é estar ficando velha. Não porque fiquei doente e precisei de hospital, pois tenho esperança de que isso não vá agora virar regra, não estou na idade de ser mau negócio para plano de saúde. O que me fez sentir velha foi olhar para a cara do médico e pensar: quem será esse moleque? E no instante seguinte, o moleque se apresenta como o doutor Rafael e te chama de senhora!

            E eu estava lá, esperando ansiosamente que a enfermeira viesse me dar um analgésico na veia, paciente impaciente, quando um sujeito, falando ao celular enquanto caminhava de um lado para o outro no corredor, dizia que estavam fazendo uma “topografia” na mulher. Coitado, eu sabia que a real preocupação dele não era que houvesse um médico empenhado em mapear minuciosamente o relevo do corpo da mulher, ali devia ser caso de acidente ou doença séria, mas a confusão de palavras foi muito engraçada, não deu para não rir.

            Minha ultra-sonografia não deu nada, diagnosticaram só uma infecção urinária muito furiosa. E manha, talvez, mas não escreveram no prontuário. Receitaram antibiótico, analgésico, dois dias de repouso e pude vir para casa. Salvo o parto, ainda não precisei da minha primeira internação. Vou torcendo para passar sem ela, pois, mesmo tendo sido muito bem atendida e saído de lá infinitamente melhor do que entrei, continuo não gostando de hospital. Bom mesmo é dar lucro para plano de saúde!



Escrito por Ana Mesquita às 12h39
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Mais lágrimas

Dessa vez, foi um escrito da Vivi.



Escrito por Ana Mesquita às 20h35
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Choro bom

            Já ouvi muitas vezes que chorar é bom, desopila. Quem não ouviu? Você está lá numa tristeza que não tem fim, alguém vem consolar e diz: chora, chora que alivia. Tem também a música da Rita Lee: “Choro até secar a alma de toda mágoa, depois eu passo pra outra”. Acho a música ótima, mas não acredito nesse poder todo do choro de acabar com a mágoa de uma alma. E às vezes penso que chorar muito nos deixa com péssima aparência, olheiras, rosto abatido, o que não ajuda a melhorar. Aí uma roupa bonita, um batom e uns óculos escuros podem ser úteis.

            Não que eu seja de segurar lágrimas. Mesmo que quisesse, acho que não conseguiria, sou muito manteiga derretida. Já aconteceu até de me emocionar enquanto fotografava um casamento e não saber onde enfiar a cara. Choro não é tudo igual, no entanto. Tem choro triste, choro raivoso (o pior de todos), choro emocionado e até choro de alegria – esse sim bom de verdade! E foi esse choro bom, alegre e muito emocionado, que chorei ontem, como há tempo não fazia.

            Foi um texto da minha mãe. Quando ela me telefonou semana passada contando que começou a ler meu livro e não pode parar, tentou dormir, mas não conseguiu, voltou à leitura e só parou quando terminou, às duas da madrugada, eu já tinha sentido uma alegria incontida e uma lágrima escapou. Ontem, quando li a coluna que ela publicou no Jornal Democrata essa semana, aí então chorei bem chorado e já estou com os olhos marejados de novo, só de lembrar.

            O leitor pode estar pensando se não recebi nenhum elogio de pessoa mais isenta do que minha própria mãe para citar aqui. Psicólogos de plantão dirão logo que nada pode ser melhor do que a aprovação materna, não importa a idade da “criança”. E eu direi que quem conhece minha mãe, compreende o sono atrasado de décadas cuidando de bebês, sabe o quanto ela preza a autodiscliplina e a importância que dá para a verdade, vai entender muito bem que meu livro não poderia nunca receber melhor apologia.



Escrito por Ana Mesquita às 09h41
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Injustiças

            Semana passada uma amiga convidou para um chá. Estava uma delícia. No dia seguinte ela mandou por e-mail para minha irmã, que também tinha sido convidada, mas estava trabalhando e não pode ir, a foto do nosso brinde. Com proseco, não chá. Minha irmã respondeu: “Pena que não tenho uma foto minha de ontem pelas cinco da tarde pra mandar pra vocês, que vocês iam ver como o mundo não é justo!”

            De lá prá cá, sem mais motivo, pequenas e grandes injustiças foram chamando minha atenção, até que se acumulassem de tal forma que eu tinha que escrever sobre elas. Das mais banais, como um time de futebol jogar melhor e perder o jogo, às mais perversas, como a desigualdade de renda e de oportunidade saltando de repente aos olhos que já passam a maior parte do tempo sem ver, todas chegam como luminosos em Las Vegas, piscando em cores berrantes e clamando para serem notadas.

            A gota d’água foi uma notícia que acabei de ler: “Mulher que perdeu bebê em acidente é condenada por homicídio”. Uma corte de Dubai condenou a mulher, que freou para não bater no carro à sua frente, mas foi atingida pelos que vinham atrás, a pagar uma indenização de 5,5 mil dólares ao restante da família por ter perdido no acidente o bebê que esperava. O juiz baseou sua sentença na lei Islâmica e afirmou que os direitos dos bebês ainda no útero precisam ser defendidos. Ah, a religião... Como são hábeis esses juízes que se julgam divinos em injetar mais sofrimento onde o sofrimento impera!

            Antes da gota, o transbordamento já era iminente. O que encheu o copo foi um e-mail que recebi ontem, que listava, ilustrado por fotos, o gasto semanal de várias famílias ao redor do mundo com alimentação, começando por uma família alemã (quatro pessoas, quinhentos dólares por semana), passando por uma americana, italiana, mexicana, polonesa, egípcia, equatoriana, chegando à butanesa, de treze pessoas e que despende cinco dólares e três centavos para se alimentar por uma semana e culminando com refugiados do Chade que gastam um dólar e vinte e três centavos para alimentar a família de seis pessoas. E me perguntei se era necessária a volta ao mundo ou bastava olhar para a fartura da minha própria mesa e não virar o rosto ao ver o mendigo revirando o lixo em busca de alguma coisa para comer.

            Não sei que meandros da minha cabecinha nem sempre lógica fizeram de uma brincadeira que não deveria me levar além da minha adolescência e da música do Kid Abelha (“o mundo é muito injusto, eu dou plantão dos meus problemas que eu quero esquecer”) o assunto da semana. Não me peçam para explicar.



Escrito por Ana Mesquita às 16h58
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Ansiedade, amigos e flores

            Ansiedade: consciência do coração batendo dentro do peito. Pensamentos que invadem a cabeça sem licença e ficam se repetindo feito disco riscado. Dificuldade para encontrar o botão “desliga” na hora de dormir. Nos dias antes do lançamento, o disco riscado tocava: será que não vai ninguém? Idéia sem fundamento para quem tem uma família do tamanho da minha, mas quem disse que há racionalidade na ansiedade? Quando dava uma folguinha eu me imaginava tomando um vinho, brindando com as pessoas queridas, conversando e escrevendo uma dedicatória aqui outra ali e pensava que seria uma delícia minha festa.

            Foi uma delícia. Só não deu tempo de bater papo, nem de tomar vinho. Faço tudo devagar e percebi que para escrever dedicatória não sou diferente. Eu, que detesto filas, fiz alguns amigos esperarem um tempão e peço desculpas por isso. Tentem compreender como é difícil: vai chegando uma pessoa querida atrás da outra e a gente quer escrever algo especial, não dá para mandar fazer um carimbo, como andaram sugerindo.

            Alguns amigos que foram, há tanto tempo eu não via que me fizeram pensar que preciso escrever outros livros para poder reencontrá-los mais vezes. Quer dizer, eu já estava pensando que gostaria de escrever outros livros, tenho mesmo algumas ideias, mas esse também pode ser um motivo dos bons. Se bem que o ideal seria conseguir encontrar mais os amigos, lançando livros ou não.

            Duas das minhas irmãs levaram flores. Outra me deu um golfinho. A Mem, minha segunda mãe, mandou uma rosa cor-de-rosa colhida no jardim. Cento e um livros foram vendidos. E percebi, mais uma vez, que ansiedade é tudo aquilo que eu disse lá em cima e também uma bobagem. Isso continuaria valendo – embora ficasse mais difícil de perceber – mesmo que de fato não tivesse ido ninguém. Porque a ansiedade não teria ajudado em nada. Vocês acham que saber disso agora vai me ajudar a tirar o disco riscado antes do lançamento em São José na semana que vem?



Escrito por Ana Mesquita às 17h53
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Os rolos

            Estou cansada de me sentir idiota quando vou ao supermercado. Sei que nossa ideia de tempo é bem relativa, mas acho que não faz muito, todos os rolos de papel higiênico, de todas as marcas, tinham cinquenta metros. Ou talvez fosse quarenta e cinco. O fato é que um belo dia as prateleiras ficaram cheias de promoção de papel higiênico, o preço parecia bom, mas se você prestasse atenção via que cada rolo agora tinha quarenta metros. Passou mais algum tempo e os quarenta viraram trinta. E agora eles lançaram a embalagem “econômica” e “amiga da natureza” que vem com... Cinquenta metros!

            O mesmo recurso de aumentar preço “disfarçadamente”, digamos assim, foi usado nas barras de chocolate e nos pacotes de bolacha, mas estou com mais raiva dos enrolados papéis higiênicos, por causa das novas embalagens “amigas da natureza”. Então os caras nos obrigam durante anos a comprar embalagens cada vez mais inimigas da natureza para depois, muito preocupados com o meio-ambiente que são, propagandear lançamento ecologicamente correto. Oras, tenha paciência!



Escrito por Ana Mesquita às 08h23
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Dicionário de Rimas

Porque ganhei um dicionário

Quero fazer poesia com rima

Será coisa de falsário?

Pergunto à minha prima

 

Penso em uma palavra

E corro a ver com que rima

Mas não é rima da minha lavra

E a busca logo termina

 

Num poema-confessionário

Conto o que aconteceu

Do leitor um comentário

E a ambição de poeta feneceu

 

Quisera que fosse um soneto

Não tinha dicionário de forma

Fazer poesia é espeto

A autora se conforma



Escrito por Ana Mesquita às 11h14
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Convite



Escrito por Ana Mesquita às 18h21
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Inquietude (no sangue?)

            Minha mãe contou esse caso: comprou, para a festa de seu irmão, quantidades iguais de castanha de caju e pistache e ficou surpresa pelo fato de que a castanha foi consumida quase toda, mas o pistache sobrou um montão. Então, conversando no dia seguinte com um dos filhos sobre isso, ouviu: “claro, mãe. O pistache vem com casca, a castanha está pronta para comer”. “Muito me admira”, respondeu minha mãe, “todo mundo lá sem nada para fazer com as mãos, não é gostoso descascar o pistache?”. E meu irmão: “para você, que não sabe ficar parada, sim”.

            Fiquei pensando: sou parecida com minha mãe nesse particular. Detesto ficar sem fazer nada. Tendo que enfrentar fila ou uma sala de espera, gosto de ter sempre à mão um livro ou uns papeizinhos de origami. Acho que é para me distrair, mas também para não ficar com aquela sensação ruim de perda de tempo. Minha ex-terapeuta uma vez perguntou o que aconteceria se eu ficasse sem fazer nada, deve ter tido a impressão de que eu me sentia ameaçada pela quietude e aparentemente isso é bem ruim. Para mim não tem problema, não me incomoda muito esse defeito.

            Curioso é que me peguei pensando se herdei essa característica da minha mãe no sangue ou na educação. A questão já estava na minha cabeça por outra história. Há uns dias, meu sobrinho veio aqui em casa imprimir um trabalho de escola, a impressora da casa dele estava quebrada. Aproveitei o computador ligado para mostrar a ele, toda orgulhosa, meu livro no site da livraria. Quando ele chegou à sinopse, começou a “ler” em voz alta algo como: André Favaro (o próprio “leitor”), recordista da travessia do Canal da Mancha... O que me fez dar muita risada foi lembrar-me de como o pai dele fazia igual na época em que eu nadava, quando ele ainda nem era nascido! Perguntei se sabia disso, mas não, nunca tinha ouvido as histórias de como o meu cunhado costumava me perguntar onde eu tinha comprado meus troféus, pois ele queria igual, ou da vez em que pegou o ranking mundial em que eu aparecia em 7º lugar, riscou todos os nomes que estavam acima do meu e escreveu versões de seu próprio nome no lugar, mandando depois para mim por fax. Achei muita graça. E pensei: será possível ter passado nos genes?!



Escrito por Ana Mesquita às 18h12
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Desafio

            Uma força que move muita gente. Tem quem se esforça para acumular fortuna, outros querem cultura, alguns buscam sabedoria, outros querem conhecer lugares. Gente que escala montanhas, mergulha nas profundezas, voa, salta ou surfa ondas gigantes. Os melhores desafios são aqueles que se mostram bastante difíceis, mas ao final podem ser vencidos. Basta ver como as crianças geralmente gostam de sentirem-se desafiadas na escola: quando fica fácil demais perdem o interesse. Por outro lado, se a dificuldade é tão grande que falham sem parar também se desmotivam.

            De quebra-cabeças a travessias, de autoconhecimento a fotografias, gosto de desafios. Quando resolvi tentar a travessia do Canal da Mancha, a graça era essa. Parecia quase impossível, muita gente duvidava, inclusive eu mesma em algumas ocasiões. E agora que a história vai finalmente ser publicada, e tive que ler e reler o que escrevi, ando pensando sobre isso. Às vezes fico com uma vontade enorme de arrumar outro desafio. Quem sabe correr uma maratona – como sou péssima corredora e sempre me machuco correndo, seria bem difícil. Ou, melhor ainda, fazer um Ironman. Pensando bem loucamente, poderia cruzar o Canal ida e volta ou nadar 24 horas – assim, depois de velha. São todas idéias malucas que estão completamente fora da minha realidade atual de nadadora-diletante-três-vezes-por-semana. Então, comecei a refletir: desafio mesmo, mais difícil do que qualquer um desses que eu adoraria tentar, é educar uma filha e estou diante dele agora. Por mais corriqueiro que seja – quase todo mundo tem filhos em algum momento da vida e bem ou mal os educa – não pode haver desafio maior. Ser capaz de impor limites sem perder a ternura, viver coerentemente seus valores e conseguir ensiná-los, preparar amorosamente seu filho para a vida e saber deixá-lo livre para seguir seu próprio caminho, tudo no tempo certo. Sendo mãe de uma adolescente tenho me sentido às vezes como o aluno esforçado diante de um assunto complexo demais: parece que toda a dedicação não traz nenhum resultado.

            Alguns desafios são opcionais. Ninguém me disse que eu precisava atravessar o Canal da Mancha (muito pelo contrário, aliás...), quando desisti na primeira vez nada me convenceria de que deveria morrer tentando e depois daquilo pensei que não tentaria de novo – e estava tudo bem. Com filhos é um pouco diferente. Podemos dizer que tê-los é opcional (pressões sociais e familiares à parte) e certamente no meu caso foi uma opção – desejei ser mãe com muito mais força que desejei atravessar o Canal da Mancha. Depois que nascem, no entanto, não se pode desistir de educá-los, até que cresçam são nossa responsabilidade, mesmo quando sentimos – o que costuma acontecer só mais tarde mesmo – que não estamos à altura da tarefa. Falhar, aparentemente, é quase uma certeza, basta ver como todos nós temos queixas de nossos pais, por melhores que tenham sido. Mesmo assim vamos tentando...

***

Meu livro está no prelo e o lançamento vai ser dia 14/04 aqui em São Paulo (na Livraria da Vila da Fradique) e 24/04 em São José do Rio Pardo. Assim que estiver pronto, coloco o convite. Por enquanto, quem quiser ver a capa ou, quem sabe, encomendar, pode entrar no site da Livraria Cultura.



Escrito por Ana Mesquita às 12h15
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Receita

O Ogata pediu e estou atendendo: aí vai a receita do “cookie-brownie” que gostam tanto. Agora ele aprende a fazer e não vai me pedir mais, certo? Mas, prestem atenção: se não colocar o carinho não fica igual!

Fudge Nut Bars

Massa:

1 copo de manteiga ou margarina

2 copos de açúcar mascavo

2 ovos

2 colh de chá de baunilha

2 ¹/2 copos de farinha peneirada

1 colh de chá de fermento em pó Itaiquara

1 colh de chá de sal (se a margarina tiver sal eu não ponho)

3 copos de aveia em flocos finos

Cobertura:

360g de chocolate meio amargo

1 lata de leite condensado

2 colh de sopa de manteiga ou margarina

1 copo de nozes

2 colh de chá de baunilha

 

Bata a manteiga e o açúcar até formar um creme. Adicione os ovos e a baunilha. Peneire  juntos: farinha, fermento e sal e misture a aveia. Adicione os ingredientes secos ao creme. Reserve a massa enquanto faz a cobertura:

Em banho-maria derreta o chocolate, junto com o leite condensado e a manteiga ou margarina. Mexa até que fique homogêneo, retire do fogo e adicione as nozes e a baunilha.

Em uma assadeira untada de 28x40cm, espalhe ²/3 da massa. Espalhe a cobertura e, por cima, coloque porções do restante da massa. Asse em forno moderado por 25 a 30 minutos.



Escrito por Ana Mesquita às 10h54
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Hora devolvida

            Semana passada, quando vi que o horário de verão estava para terminar, pensei: vou escrever sobre a hora devolvida. Não tinha sido roubada, afinal. Algumas coisas me impediram, no entanto, não pude escrever. Por a culpa na falta de tempo sempre parece falácia e mais ainda quando você ganha uma hora no fim-de-semana. Vou tentar argumentar que não seria falácia nesse caso, porque o tempo tem mesmo corrido muito, está fogo, para não usar a outra palavra começada com efe, que seria mais apropriada, mas quero evitar a linguagem chula. Só que quando algum leitor entre os cinco ou seis que sempre passam por aqui em busca de um texto novo – gosto tanto disso! – já estiver sensibilizado, tendendo a perdoar minha irregularidade em vista da situação – fotógrafa, mãetorista, cozinheira e ainda querendo ser escritora, não vai dar mesmo – vou ter que admitir que não foi só a correria.

            Aconteceu também de ter me faltado a sensação de hora devolvida. Sabe aquela coisa de acordar no dia seguinte super bem dormida, pensando ser muito tarde e se dar conta de que ainda são sete e meia? Não teve. Como trabalhei até tarde no sábado nem acordei bem descansada, nem achei que ainda era cedo. E domingo passou voando, com o almoço gostoso que meu sobrinho cozinhou e desfrutamos em família tomando bom vinho. Tive um lampejo de hora devolvida ontem, porque derrubei meu despertador durante a noite, caiu a pilha e ele evidentemente não tocou, mas ainda assim não perdi a hora. E tenho acordado às seis da manhã com o dia claro, o que é muito gostoso. Mas a verdadeira sensação de hora devolvida aconteceu agora a pouco.

            Hoje de manhã, chegando à escola, minha filha pediu meu relógio emprestado, tinha esquecido o dela. Passei a manhã sem relógio, até resolver pegar um outro e ver que já era meio dia, hora de ir nadar. Arrumei minhas coisas: maiô, touca, óculos, toalha, uma troca de roupa, garrafinha e já ia saindo, mas quando entrei no carro vi que o relógio marcava... onze e quinze. Que delícia, ainda tenho uma hora! Vou escrever meu texto, a hora foi devolvida enfim!



Escrito por Ana Mesquita às 11h55
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Panelas e tampas

            Crise aqui em casa também: não tenho mais empregada. Isso significa, entre outras coisas, que cozinhar, algo que eu fazia apenas por prazer e de vez em quando, agora é parte da rotina. Nada muito completo, senão, com a minha lerdeza característica, eu acabaria ficando o dia todo só na cozinha, mas algo temos que comer e me vejo às voltas com panelas no fogão todos os dias. Panelas e suas tampas.

            Não que eu ainda não tivesse notado o absurdo. Apenas agora fico me lembrando dele a toda hora. Tenho um jogo dessas panelas muito bonitas, inox, fundo triplo, para durar a vida toda, coisa fina. E fico me perguntando o que fazem os engenheiros da Tramontina. Certamente não fazem comida. Se vão dizer que isso não é surpresa, argumento que engenheiro de panela deveria cozinhar. Primeira vez que fizessem arroz e queimassem a mão na hora de abrir a panela, mudariam aqueles absurdos puxadores de inox. Também colocariam bons cabos e não aquelas pequenas alças de metal que ficam quase incandescentes logo que você liga o fogo. E veriam que é preciso um respiro na tampa quando desligassem o fogo depois que o arroz ficou pronto e, passados alguns minutos, não pudessem mais abrir a panela, pois, com a diferença de pressão quando a panela começa esfriar, a tampa “cola” de tal forma, que você precisa ligar de novo o fogo para conseguir abrir.

            Tentando imaginar como podem fazer um produto de primeira linha, material excelente, preço alto e tão cheio de defeitos, concluí que uma boa resposta pode estar no público consumidor, gente que contrata cozinheira. E quando a cozinheira queima a mão, não arde na patroa. Não vão reclamar para o fabricante, nem espalhar para as amigas que a panela não presta. Agora acabo de notar o sexismo implícito em minhas últimas frases: só mulheres comprariam panelas. Isso me deu mais uma idéia para o sucesso persistente das panelas mal pensadas: talvez sejam os homens que estejam comprando! Vão à loja, acham a panela linda, a propaganda do fundo triplo e da economia de gás genial e levam: presente de aniversário para a mãe...



Escrito por Ana Mesquita às 17h17
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Humano

            Michael Phelps foi flagrado fumando maconha. Na verdade, provavelmente foi traído por algum amigo, ou amigo de amigo. A foto, tirada sem flash e de lado, um pouco por trás do nadador super-homem, numa festa de república estudantil na Universidade da Carolina do Sul, foi publicada ontem pelo tablóide inglês News of the World. Este jornal interessado tão somente em bem informar seus leitores e promover os mais altos valores, destacou que “o porta-voz da empresa de marketing que agencia Phelps, Clifford Bloxham, teria oferecido um “acordo extraordinário” para que a foto não fosse publicada. O nadador seria colunista do tablóide durante três anos, apresentaria eventos e traria seus patrocinadores”, segundo o UOL Esportes. Eu adoraria saber quanto foi que o tablóide pediu para não publicar a fotografia. Afinal, o tal Bloxham soube da publicação antes que ela ocorresse, por que será?

            E então, veio o pedido de desculpas. “Me comportei mal. Fiz um julgamento errado das coisas. Tenho 23 anos e, apesar de todo o sucesso que tenho nas piscinas, me envolvi em algo inapropriado. Algo que as pessoas não esperam de mim. Por isso peço desculpas e prometo, aos meus fãs e todo o público, que isso não ocorrerá novamente.” Coitado do Phelps! Imaginem ter que tentar atender às expectativas de todos os fãs: porque ele não chegou voando para salvar a criancinha que se afogava, onde está o super-herói, afinal? Então ele não vai fazer a Terra girar ao contrário, para que tenhamos a possibilidade de desfazer todas as besteiras que fizemos até aqui? Ele poderia, inclusive, resistir à maconha nessa segunda chance. Ou, pelo menos, certificar-se de que o ambiente estivesse livre de pessoas de caráter muito duvidoso, dispostas a vender sua foto naquela situação.

            Seguiu-se a nota do Comitê Olímpico dos Estados Unidos, “decepcionado com o comportamento recentemente exibido por Michael Phelps” e esperando que o nadador “estabeleça no futuro o exemplo que se espera de um grande campeão olímpico”. Como nesse tempo de blogosfera todo mundo pode dar sua opinião, eu também vou fazer publicar minha nota: Estou estupefata! O atleta com maior número de medalhas de ouro numa mesma Olimpíada, o nadador imbatível, aquele homem que nenhuma pressão foi capaz de fazer balançar, provou-se, contra todas as evidências... humano! Não sei quantos fãs você perdeu no episódio, Michael Phelps, espero que não tenham sido muitos. Menos por você e mais pelos fãs e por mim, para acreditar que não há tanta hipocrisia assim e que as pessoas não estão tão prontas a julgar e correr para atirar a primeira pedra. De toda forma, permita-me dizer, fiquei alegre em saber que você não é mesmo uma máquina.



Escrito por Ana Mesquita às 12h36
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Zíper

             Estava na página inicial do UOL hoje cedo:

 

            Quase todo mundo já se viu de repente de zíper aberto e ficou meio sem graça. Um amigo bem amigo, ou um irmão, avisaria discretamente. Mas se você é uma celebridade e quem vê é um fotógrafo, a foto ganha o mundo (embora não se a fotógrafa for eu, quero deixar esclarecido). O caso é banal, zíper aberto não deve ser tão grande constrangimento para ninguém e o Brad Pitt não deve estar se importando nem um pouco. Mas é emblemático das bobagens veiculadas como notícia e da falta de respeito pelas pessoas por parte dos meios de comunicação e da estranha curiosidade dos consumidores desse tipo de notícia - que parecem ser legião - por tudo o que se relaciona à vida de gente famosa.

            Geralmente esse tipo de coisa não me chama tanta atenção. Mas acabei de ler um livro - Mutações, de Liv Ullmann - e dentre várias passagens que me impressionaram de alguma forma, uma veio à lembrança quando me deparei com o zíper do Brad Pitt em destaque em nossa mídia eletrônica: "O mestre de cerimônias me reconhece e sou arrastada para o palco, os holofotes voltam-se para mim. Durante um momento tenho consciência da receptividade cálida, sinto a admiração através das palavras soltas que compreendo. Por um instante, fico orgulhosa e alegre, inebriada pelo sucesso. Então chegam os fotógrafos. Homens ligeiramente embriagados me fazem escrever alguma coisa num cardápio ou em seu braço. Mães atiram pedaços de papel, querem que eu dê um autógrafo para seus filhos. Fico envergonhada diante de meus amigos. A timidez faz meus pés e mãos crescerem, até alcançarem metros de comprimento. Logo todos vão notar que tenho um alfinete de segurança no vestido e uma unha quebrada. Descobrirão que não chego a ser bonita nem absolutamente divertida ou notável. Saímos às pressas." Então a musa de Ingmar Bergman certo dia temeu que notassem o alfinete de segurança em seu vestido e até que "descobrissem" que ela não chegava a ser bonita! Pensando bem, pode até ser que o Brad Pitt tenha se aborrecido.



Escrito por Ana Mesquita às 20h45
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